Spec, do Latim, significa visão e é a raiz de várias palavras relacionadas ao ato de ver, enxergar ou observar. Palavras conhecidas nossas, como “espectador”, aquele que assiste a algum evento, e que, com o advento da televisão, evoluiu para “telespectador”. É disso também que nasce a palavra “perspectiva” que pode se referir à percepção visual, à um campo de estudo da geometria, como forma de criar representações bidimensionais, ou à escolha a partir de conhecimentos padronizados ou adquiridos ao longo da bagagem cultural de cada um.

É nesta última definição, diretamente relacionada às escolhas, que o nosso programa está baseado. A história tem um inicio comum, entretanto o final fica por conta de quem ouve, de acordo com a sua realidade ou com o que acha que vai ser melhor para os personagens.

Sim, personagens. A história é fictícia, mas todo o nosso trabalho foi real. Ela não surgiu do nada. A todo o momento éramos questionados se aquelas situações aconteciam de fato, se falávamos daquele jeito, se tínhamos aquelas conversas ou brigas, se dividíamos as mesmas dúvidas, medos e angústias. Para cada pergunta, ponderávamos as respostas e cada um trazia uma concepção diferente, histórias diferentes, casos curiosos... Cada um tinha e tem a sua perspectiva sobre tais assuntos abordados nessa web-série-radiofônica.

E que história é essa de web-série-radiofônica? Uma inovação? Uma revolução no modo de fazer rádio? Nós cremos que não. Não há nada de novo em escrever um roteiro e narrá-lo em um estúdio. Não há nada de novo em criar um blog e discutir assuntos que ainda são considerados tabus.

Resgatamos o glamour das radionovelas e nos aproveitamos da permissão do rádio de abusar da imaginação dos ouvintes, que podem criar as mais variadas imagens de nossos personagens. Marcelo pode ser loiro na imaginação de um ou oriental na cabeça de outros; Bianca pode ser ruiva com sarnas ou morena de cabelos crespos; Fabrício pode ser baixo e gordo, ou alto e charmoso. Dessa forma, cada ouvinte cria o seu personagem, o seu cenário, as caras e as bocas que os radioatores fizeram ao proferir as frases que tecem esse emaranhado criado por nós, mas que decidimos não colocar um ponto final. Cada um tem o direito de escolher.

E se ele tivesse feito isso e não aquilo, como seria? - Não podemos descobrir isso na vida, não é? Mas não custa brincar na ficção. Talvez estejamos, de alguma forma, brincando de ser Deus ao dizer “vou ouvir isso, porque eu quero que isso aconteça”. Talvez seja até uma forma de pensar que caminhos nós teríamos para escolher caso essas situações acontecessem conosco. É, pode acontecer com qualquer um, afinal não tem nenhuma situação extraordinária na nossa história.

Esperamos que você, ao nos ouvir, aproveite ao máximo cada instante. Esses momentos que pareciam durar séculos de tão difíceis e trabalhosos para escrever, produzir, gravar e editar. No entanto, foram momentos que esperamos serem recompensados com a sua resposta. Você é parte importante nesse processo. Você é nosso ouvinte, leitor, comentarista, opinador e o que mais você quiser. Aqui a escolha é sua e a sua perspectiva é importante para a nossa história.

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